Presidente da Fenapex fala sobre o "Cidade Limpa."

Antônio Carlos Aquino de Oliveira* Tenho sido instado a posicionar-me publicamente sobre o “Projeto Cidade Limpa” da Prefeitura de São Paulo, especialmente após declarações dos seus governantes de ser um modelo a ser copiado. Citarei inicialmente os mais de 15mil empregos diretos extintos, como uma contradição inexplicável na cidade responsável pela movimentação de mais de 70% da verba publicitária do país. As ramificações diretas do setor Mídia Exterior com a indústria de impressão digital e serigráfica, com os condomínios, ônibus e táxis, empresas fornecedoras de produtos e serviços de metalurgia, eletricidade, transportes, checking, instalações, com agências e anunciantes não foram devidamente mensuradas para uma análise econômica do impacto, além da renúncia fiscal dos ricos sulistas de mais de 56 milhões anuais de TFA – Taxa de Fiscalização de Anúncios.

Não há nenhuma capital do mundo desenvolvido em que a mídia exterior não esteja inserida e da sua vida econômica faça parte. Então, como explicar tamanha violência por parte da administração da maior metrópole da América Latina?

Não dá para esgotar este assunto em um único artigo, mas, vamos começar pelo aspecto da globalização, que começou neste setor com a entrada de bancos internacionais e multinacionais no mobiliário urbano e no outdoor no Brasil. Não há novidade que o mundo caminha para monopólios de duas ou três empresas planetárias em cada setor, e, na raiz desta história de “Cidade Limpa” o discurso de sempre. Como explicar a aprovação do projeto quase por unanimidade e em tempo recorde por parte da Câmara? Como explicar a violência dos atos e fatos com exposição pública dos maiores dirigentes locais, se não houvesse interesses subalternos?

Em São Paulo existiam também empresários e empresas irregulares no setor de mídia exterior, como existem no setor de educação, da saúde, dos entretenimentos e outros, mas como justificar a extinção de uma atividade econômica centenária e legalizada?

O projeto cidade limpa esconde na verdade as mais vergonhosas histórias de uma cidade suja, dirigida com incompetência, arbitrariedade e violência, cujas conseqüências maiores quem paga são seus moradores no trânsito, na violência urbana, nas condições da saúde e educação pública. A proibição da Mídia Exterior em São Paulo não é exemplo para ser seguido, pois as razões verdadeiras não foram explicitadas, não estão ditas e claras, transformando a atividade em um bode expiatório para interesses internacionais, para esconder a ineficiência das fiscalizações e a incompetência gerencial pública.

De alguma forma temos e teremos sempre São Paulo como referência em muitos setores, mas, no setor de Mídia Exterior Salvador é exemplo nacional, mesmo sabendo que não foram os exemplos que os dirigentes municipais paulistas se basearam para limpar a cidade, mas nos velhos vícios das “repúblicas de bananas”, em um país em que a Polícia Federal “é o órgão mais atuante, motivo de orgulho e destaque nacional”.

São Paulo, neste item, é sim, um caso de Polícia, não uma referência a ser seguida.

*Presidente da Fenapex – Federação Nacional das Empresas de Mídia Exterior

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