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[Entrevista exclusiva] Presidente do SINJORBA, Marjorie Moura comenta sobre desafios e conquistas dos jornalistas






A presidenta do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (SINJORBA), Marjorie da Silva Moura, em entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, comenta sobre as dificuldades e conquistas da categoria. Ela também avalia o desempenho do secretário de comunicação da Bahia, e faz um paralelo com relação aos poderes legislativo e judiciário, no que concerne a promulgação de plano de carreira para os jornalistas.

Marjorie Moura também comenta sobre a Lei que torna obrigatório o diploma de jornalista para exercício da profissão, e sobre a criação de um Conselho Federal para a categoria. Além de avaliar a formação acadêmica do jornalista e revelar que a relação capital/trabalho passa por grave crise no setor.


Confira a entrevista


Jornal Grande Bahia – Com você avalia o trabalho do secretário estadual de comunicação da Bahia, Robison Almeida?

Marjorie Moura – O Sindicato dos Jornalistas da Bahia teve uma postura até crítica com a indicação do atual secretário Robison, porque ele não é jornalista, não é radialista, não é diretamente da área de comunicação. No entanto foi uma grande surpresa a gestão dele a frente, com a realização das Conferências de Comunicação na Bahia, e a criação do Conselho de Comunicação. Hoje, foi publicado no Diário Oficial, depois da pressão da entidade de classe, e com a sensibilidade do secretário, o plano de carreira do jornalista. Que é uma batalha de décadas, que a gente vem empreendendo no sentido de que o profissional, o jornalista e o radialista sejam valorizados na profissão, tenha a possibilidade de ascensão, e ser um profissional visto no Estado, ter uma carreira, ter um futuro a enxergar. Então eu acredito com extremamente positiva a gestão de Robinson Almeida à frente da SECOM Bahia.
 

JGB – Com relação ao plano de carreira, ela está circunscrita a estrutura do governo da Bahia, ou abrange também o legislativo e o judiciário?

Marjorie Moura – Não. Ele abrange o executivo, o caso, o Governo do Estado da Bahia. A Assembleia Legislativa, eu acredito que precisa de uma Lei especifica e uma complementar, mas que possa ser utilizada da mesma maneira que o Estado o fez, em termos da estrutura utilizada. Porque as vivências, as necessidade do profissional de comunicação nestes dois entes, nessas duas entidades é a mesma.


JGB – E com relação ao judiciário?

Marjorie Moura – O judiciário é uma outra batalha, nossa também, nesse sentido de que seja incorporado plano especifico.

 

JGB – A profissão de jornalista ainda é uma das poucas que não tem um conselho federal. Como transcorre esse processo?

Marjorie Moura – Nós ainda estamos brigando com a questão do retorno da obrigatoriedade diploma, e o Conselho Federal também é tão debatido quanto a questão do diploma. Então na verdade nós estamos com folego para luta para que assim que terminar a luta pelo diploma, vamos começar outra. Mas o projeto continua em tramitação, tem projetos em tramitação no Congresso Nacional nesse sentido, no momento ainda está passando pelas comissões, mas é algo que no futuro próximo, pode acontecer.

 

JGB – Com relação a profissão de jornalista, no estado da Bahia. Como observa o cenário?

Marjorie Moura – Muito complicado. Porque o nosso primeiro problema é se reconhecido como uma profissão. Porque se você tem um diploma, que é a base de uma profissão, e ele é regulamentado, tem que ser reconhecido, não é algo que a pessoa de repente acorda e simples dá vontade de ser jornalista, dá vontade de estar na profissão. Então tem que ser reconhecido dessa maneira, inicialmente.

Em segundo lugar, a gente vê de maneira geral que os empregos estão acabando, as vagas estão acabando. Então a gente tem que pensar como jornalista, em uma profissão em que nós sejamos empreendedores, em que possamos criar a nossa própria estrutura de trabalho pra agir nela. A nossa formação na faculdade ainda é deficiente nesse aspecto, a gente é formado para ser empregado.

Nós somos profissionais liberais e temos toda capacidade de criar as nossas empresas, tocar nosso negócio, de ver as possibilidades que existem. Porque ninguém melhor do que nós para escrever, para entrevistar, nós temos a estrutura técnica, o conhecimento técnico, então nós temos que ter também o conhecimento técnico para administrar nossas empresas. É isso que está faltando na formação da gente como jornalista.

 

JGB – Então você acredita que a solução para o profissional que sai da academia, é empreender?

Marjorie Moura – Acredito que sim. Como eu disse, as vagas estão cada vez mais escassas no mercado de trabalho. Mas você pode procurar vagas, pode ser até encontrar como experiência de estágio. Mas eu acho que você tem que ver o mercado como um todo, tomando o mercado de trabalho de uma maneira geral. Nesse mercado as questões de empregos estão cada vez menores, a não ser concursos. Mesmo assim não existe a carreira de jornalista, que foi criado agora no Estado, então o profissional não é respeitado, como a carga horária de 5 horas, e as características da profissão. Então você tem que buscar empreender, como alternativa de trabalho.


JGB – Falando dessa crise de emprego e da profissão. Você tem uma experiência com o jornal A TARDE, que recentemente passou por cortes de pessoal. Como observa a crise do jornal impresso?

Marjorie Moura – É verdade. O que a gente vê é que toda vez que uma mídia nova aparece, ela ameaças as antigas que existem. No caso online que ameaçou o jornal impresso e que ameaça ainda. Então na verdade os proprietários das empresas precisam conhecer o seu negócio e ver quais são as alternativas para este negócio.

Porque online é muito interessante, expande muito, cria-se redes sociais e mas em muitos casos elas não se pagam ainda, e o jornal impresso tem a capacidade de se pagar através da publicidade. Então é um meio importante de emprego, é um meio importante de renda. Por enquanto o jornalismo online ainda não consegui alcançar este patamar. Conseguiu se expandir através de blogs, sites, redes sociais, mas ainda não se paga, é muito difícil uma mídia viver somente com seu trabalho de mídia, ela tem que buscar outros meios para sobreviver. Quando a televisão surgiu disseram que o rádio ia acabar, e o rádio está fortalecido, na verdade, cresceu muito até com o advento do online.

*A entrevista foi concedida em Salvador, no dia 30 de janeiro de 2014, durante o Iº Fórum Baiano de Comunicação e Democracia ocorre em Salvador.

 


Marjorie Moura: “Então eu acredito com extremamente positiva a gestão de Robinson Almeida à frente da SECOM Bahia.”.




Marjorie Moura: “Nós ainda estamos brigando com a questão do retorno da obrigatoriedade diploma, e o Conselho Federal também é tão debatido quanto a questão do diploma.”.




Marjorie Moura: “Então a gente tem que pensar como jornalista, em uma profissão em que nós sejamos empreendedores, em que possamos criar a nossa própria estrutura de trabalho pra agir nela.”.


Fonte: Jornal Grande Bahia | Carlos Augusto
 



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