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[Entrevista exclusiva] Secretário Estadual de Comunicação, Robinson Almeida fala sobre pré-candidatura a deputado, destaca papel de Feira de Santana, e diz que PMDB da Bahia é ponto fora da curva



Robinson Almeida | Foto: Jornal Grande Bahia | Carlos Augusto

Robinson Almeida | Foto: Jornal Grande Bahia | Carlos Augusto




Robinson Almeida: “Feira de Santana é uma região prioritária para mim. A nova representação ela não pode fugir desse paradigma, desse imperativo, que são as regiões que quererem seus representantes.”



Robinson Almeida comenta sobre a postura do PMDB da Bahia: “Significa uma postura de oposição ao projeto nacional, e isso faz com que as pontes tenha sido quebradas nesse entendimento de pactuação nacional com o PMDB, sendo a regional daqui da Bahia, um ponto fora da curva”.



Robinson Almeida comenta sobre a visita de Lula a Bahia: “A presença do ex-presidente Lula certamente será para reforçar o palanque de governo, para reforçar a ligação que ele tem com o projeto nacional.”

O Secretário Estadual de Comunicação da Bahia, Robinson Santos Almeida, após oito anos chefiando a pasta, deixa o governo Wagner no final de março de 2014 com objetivo de lançar pré-candidatura a deputado federal pelo PT. Robinson concedeu entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, em 30 de janeiro de 2014, oportunidade em que avalia a gestão à frente da secretaria, fala sobre os motivos de lançar-se candidato e da aliança com o senador Walter Pinheiro, comenta sobre a importância de Feira de Santana para a campanha de 2014, e finaliza a entrevista avaliando as composições partidárias na disputa pelo governo do estado, e a possibilidade de atrair o PMDB baiano para recomposição com o PT da Bahia.


Confira a entrevista


Jornal Grande Bahia – Observando esses oitos anos em que você esteve à frente da secretaria de comunicação, o que te preencheu enquanto ser político, enquanto militante do Partido dos Trabalhadores?

Robinson Almeida – Várias dimensões. A primeira, de estar ali, em um local muito privilegiado para acompanhar as transformações que ocorrem no nosso estado. Transformações na área social, com grandes programas de inclusão do nosso povo, a casa, a água, habitação, saneamento, saúde, programa de desenvolvimento econômico e de infraestrutura muito importante, e a mudança da cultura política da Bahia, promovida pelo governador Jaques Wagner, instaurando definitivamente a democracia em nosso estado. Então essa é a dimensão que mais me trouxe satisfação pessoal de estar acompanhando, participando e noticiando tudo que ocorreu nesses últimos anos.

Do ponto de vista particular das minhas atividades, creio que algumas iniciativas marcaram muito a minha trajetória a frente da secretaria. A primeira decisão de interiorizar a comunicação de governo, com um relacionamento mais próximo com o interior do estado, com as rádios, com os sites apoiando e fortalecendo essas novas mídias; destaco também uma comunicação voltada para uma aérea de participação popular, ou seja, criação do Conselho de Comunicação, um espaço onde a sociedade civil, empresários, movimentos sociais em um Fórum, podem discutir o funcionamento da comunicação social hoje na Bahia.

Também destaco as organizações e produções de conteúdo, marcas que ficaram na comunicação, nas campanhas publicitarias como ‘Agora tem’ que deram grande repercussão e imagem ao governo, uma série de depoimentos de vários personagens do povo, que nós botamos na Televisão como Carlos Nascimento, um pedreiro que ganhou o emprego no hospital do Subúrbio que fez um depoimento muito engraçado e comovente da sua experiência; dona Enedina que se alfabetizou com 100 anos no programa do governo o Topa,  campanha que foi premiada nacionalmente como a melhor campanha institucional do nordeste. Então são realizações que completam o meu ciclo a frente da comunicação do governo.


JGB – Com relação a sua saída do governo no próximo mês, quando você estará entrando no processo político; quando você chegou ao governo, veio do grupo político liderado por Walter Pinheiro, atual senador do estado, e agora você é candidato a deputado federal, eu lhe pergunto.  Essa aliança com o senador Walter Pinheiro, continua?
 

Robinson Almeida – Walter Pinheiro é um querido amigo que eu conheço a quase 30 anos na atividade política, e nós temos uma relação muito antiga e forte de identidade programática de visão de mundo na área que ele atua com mais dedicação, que é essa área de comunicação e telecomunicações, e vou para nova missão na minha vida com a impressão que posso ajudar a melhorar a atividade política no país.

Então eu creio que há hoje uma crise da representação política, os representados se sentem distantes dos representantes, exigem uma nova atitude do Congresso Nacional, uma nova agenda com relação aos problemas vividos pelo povo, e eu fui muito impactado pelas manifestações de rua do ano passado, onde eu percebi que as críticas não eram necessariamente aos governos, mas sim ao sistema político que funciona muito desconectado da vida real das pessoas. Então eu quero colocar o meu nome à disposição, assumindo propostas concretas bandeiras, teses, buscando renovar o discurso da política brasileira, buscando inovar um modelo de representação, certamente vou nessa caminhada contar com o apoio de vários amigos e parceiros entre eles o senador Walter Pinheiro.

JGB – Em Feira de Santana, fontes nos informaram que o senhor manteve algumas reuniões através do deputado Zé Neto, o senhor pretende ampliar o trabalho em Feira de Santana?

 

Robinson Almeida – Feira de Santana é uma região prioritária para mim. A nova representação ela não pode fugir desse paradigma, desse imperativo, que são as regiões que quererem seus representantes. Que ai veio o debate do voto distrital, da relação em que você representa o todo, mas que representa também o particular e escolhi algumas regiões do estado para buscar ter foco, ter uma atuação prioritária e Feira de Santana é para mim uma dessas regiões.

Eu acompanho a política de Feira há muito tempo, acompanho as ações do estado em Feira, reconheço parte importante das demandas e necessidades e tenho grandes amigos na cidade, entre eles, na política, destaco o líder do governo deputado estadual Zé Neto, que é meu amigo e irmão desde o tempo de universidade. E naturalmente terei com ele uma relação eleitoral privilegiada, onde vou buscar uma composição com ele, e fazer dessa dobradinha uma apresentação de alternativa para representação do povo da Bahia e de Feira em particular.

Além do deputado Zé Neto, tem outras lideranças políticas e lideranças do movimento social, destaco o vereador Beldes Ramos que tem uma presença muito ativa na câmara de vereadores, vários suplentes também de vereadores de alguns partidos na cidade que não se elegeram, segmentos empresariais, amigos na rádio difusão, e tenho parentes também na cidade. Então eu creio que Feira de Santana vai ser um espaço onde eu vou poder apresentar propostas e criar vínculos e raízes com a sua população.

JGB – Nos discursos do governador Jaques Wagner, em vários momentos, acenou para uma atenção especial para a sua pessoa, e o seu nome como candidato, como o senhor observa esse gesto e de apoio?

Robinson Almeida – Eu vejo o governador como uma pessoa muito ampla, que consegue buscar um relacionamento de agregação de toda a base, e tem com todos uma relação muito respeitosa e de distinção. Eu também faço parte desse ciclo porque estamos juntos desde 1º de janeiro de 2007, aqui no governo da Bahia, e naturalmente desenvolvemos uma relação de amizade de cumplicidade. Creio que o governador vai tratar todos os candidatos da mesma maneira de forma igualitária, e eu me incluo também no rol dos candidatos, por participara da base do governo, terá sempre uma atenção na atitude do governado com relação ao baiano. Eu vejo com muita naturalidade este tipo de tratamento que ele dispensa a mim, como também a todos os outros colaboradores do projeto.


JGB – Vamos falar um pouco sobre o cenário estadual de disputa, que tem reflexo nacional. O PT nacionalmente e a presidenta Dilma Rousseff sinalizam com mais um espaço ministerial para o PMDB, fechando essa aliança para as próximas eleições em 2014. No cenário local, o presidente Lula informou que vai fazer o giro, principalmente onde tem crise na aliança PT e PMDB. O PMDB pode ser atraído para uma recomposição com o PT da Bahia, inclusive com uma possível oferta de candidato a vice?

Robinson Almeida – Eu creio que as chances são resumidíssimas. O PMDB na Bahia fez opção de oposição ao governo do estado. Agora mais recentemente, o PMDB na Bahia passou a fazer oposição do governo Federal, também porque está buscando aliança com os opositores do estado, porque não vai subir no mesmo palanque que a presidenta Dilma. Vai subir no palanque de Aécio Neves (PSDB) tentando as tratativas com o DEM, o PSDB regional.

Então, significa uma postura de oposição ao projeto nacional, e isso faz com que as pontes tenha sido quebradas nesse entendimento de pactuação nacional com o PMDB, sendo a regional daqui da Bahia, um ponto fora da curva, do que é a política nacional, onde o PMDB, já tem o vice-presidente, Michel Temer, e tende a manter essa mesma aliança com a presidenta Dilma.

Nós temos uma importante base de apoio ao governo nacionalmente, o PMDB, o PP, o PDT, o PR, o PT o PCdoB e a novidade dessa eleição é uma candidatura do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que aqui na Bahia, ter como apoiadora de palanque a senadora Lídice da Mata.

Creio que o jogo está sendo jogado em uma fase bastante adiantada, e a maior probabilidade é a existência de três palanques: o palanque da situação do governo liderado pelo secretário da Casa Civil, Rui Costa (PT); o segundo palanque da oposição que é essa aliança DEM com o PMDB; e o outro palanque do PSB liderado pela senadora Lídice da Mata (PSB).

A presença do ex-presidente Lula certamente será para reforçar o palanque de governo, para reforçar a ligação que ele tem com o projeto nacional, e da amizade e do carinho que ele tem com a Bahia, em particular com o governador Jaques Wagner.

 

Fonte: Jornal Grande Bahia | Carlos Augusto



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