“Isolamento é a única forma de evitar mortes”, afirma Jairnilson Paim

O médico e professor da UFBA Jairnilsom Paim, doutor em Saúde Pública, afirmou nesta terça (28), durante o evento Encontros Digitais, promovido pelo Sinjorba, que o “isolamento social é a única forma de evitar mortes enquanto não temos uma vacina”. Ele foi o convidado da entidade para falar sobre o tema “A Relevância do SUS no Combate ao covid-19”. A promoção tem o apoio da empresa AYOO, que nos cede a conta na plataforma do Zoom.
O “Encontros Digitais” reuniu dessa vez quatro centenas de jornalistas, estudantes de jornalismo e profissionais da área de saúde. Na webinar, bastante elogiada por todos que participaram, o professor Jairnilsom, que é um dos precursores do Sistema único de Saúde no Brasil, discorreu como a existência do programa, mesmo com todos os ataques e cortes que sofreu nos últimos anos, permite hoje ao país ter uma rede de atendimento que está salvando milhares de vidas. “Esta epidemia mostrou como a luta pelo SUS foi uma luta certa”, disse ele.
O professor lembrou que as curvas já mostram uma grande concentração de casos e óbitos nas localidades e camadas mais pobres da população, que têm menos acesso a serviços de saúde e são menos assistidas por condições dignas de higiene, saneamento e moradia. O médico diz que é o SUS quem recebe essa parcela da população que não tem convênio médico ou não pode pagar por atendimento em um hospital privado.
Preconceito e desconhecimento
Ele falou também que muitas pessoas, agora, estão tendo acesso à informação de que o Sistema Único de Saúde não é somente filas, longa espera ou hospitais lotados, mas que tem o SAMU, a Anvisa, a Fiocruz, a maioria das residências médicas do país, entre outros tantos serviços que garantem uma ação integrada de saúde pública. E salientou: “Os jornalistas têm um papel muito importante para desfazer o preconceito e o desconhecimento contra o SUS, além de divulgar as diversas dimensões do programa”.
Ao responder a uma pergunta, ele elogiou o “avanço” do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que deixou o Ministério elogiando o programa, depois de por mais de um ano na Pasta ter dado continuidade à política de cortes que tirou do sistema mais de R$ 20 bilhões desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, em 2016, além de esvaziar diversos programas existentes. “Diante da epidemia o ministro teve uma posição de respeito aos técnicos, ao final defendeu explicitamente o SUS, valorizando a parte científica e a parceria com os governadores”, lembrou, para concluir: “Ninguém está condenado a ser contra o SUS para sempre”.
O médico ressaltou o papel do SUS como um indutor de pesquisas científicas e cooperação técnica. Como maior comprador de insumos e equipamentos de saúde do Brasil, o sistema poderia estabelecer parcerias com setores econômicos para avançar nosso complexo industrial de saúde a fim de atender as necessidades da população. Jairnilson afirmou que nessa crise fomos apanhados de calça curtas porque em 2016 essas políticas foram derrotadas. Ele elogiou a criação do Comitê Científico do Nordeste. “É sempre muito importante que os governantes estejam rodeados de especialistas e das melhores cabeças de seu país”, vaticinou.
Destaques do professor
“Existem três tipos de pessoas que são contra o SUS: os que são por desconhecimento, os que são por ideologia e os que são por interesses”.
“Há quatro concepções de SUS: a legal e formal, que está distante; a real, dos gestores e políticos, a que vê o sistema como o plano de saúde dos pobres e a da reforma sanitária”.
“Tenho cautela para afirmar isso, mas espero que no pós-pandemia tenhamos mais pessoas defendendo o sistema, que passa por uma compreensão da construção de uma sociedade mais solidária, que se preocupe com o outro”.
“É importante que os profissionais de saúde não recebam somente aplausos, que são importantes, mas também tenham mais reconhecimento”.
Evento completo.
Veja aqui a webinar completo com o professor Jairnilson Paim.

Link: https://youtu.be/75PiyGF-iE8

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