Audiência debateu violência contra profissionais de imprensa

“Democracia e Acesso à Informação em Perigo: como combater a crescente violência contra profissionais de imprensa na Bahia”, foi o tema da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Salvador, na segunda-feira, 19 de julho. Prestigiado por cerca de 200 pessoas, através das diversas plataformas que transmitiram os debates, o evento extrapolou o âmbito local.

Convocada por iniciativa da vereadora Marta Rodrigues (PT), a própria parlamentar abriu a audiência informando sua transmissão pela TV Câmara e pelo Facebook, com retransmissão pelas redes do Sinjorba, sindicatos de jornalistas de São Paulo e Rio de Janeiro, Jornalistas Livres, TV 247 e outras organizações.

Ressaltando que “esta audiência tem uma importância grande nesse momento em que o Brasil vive o fascismo e o ataque à democracia”, Marta pregou, também, a realização de outras atividades iguais para que a liberdade de expressão seja garantida conforme prevê a Constituição Federal. “Os profissionais de imprensa têm a enorme responsabilidade de enfrentar um governo autoritário, que se sustenta em fake news e contra quem essa categoria trava uma justa luta”, finalizou.

A presidenta da Fenaj, Maria José Braga, informou que a violência contra profissionais de imprensa avançou nos últimos anos, mostrando que o número de ocorrências cresceu, em 2019, 54% e, em 2020, 105%. Ela alertou que os ataques contra os profissionais de imprensa são consequência da instalação de um ambiente antidemocrático. “O Brasil se tornou um país perigoso para o jornalismo porque a democracia aqui está sob ataque”, disse. 

Sinjorba em ação

Em seu pronunciamento na audiência, o presidente do Sinjorba, Moacy Neves, sustentou que por trás da escalada de agressões estão o presidente Bolsonaro e seus seguidores. Neves chamou a atenção da categoria para a necessidade da notificação dos casos, para que as entidades possam fazer as denúncias e cobrar da polícia e da Justiça a punição aos criminosos. “Para cada caso registrado, há outros não notificados e é importante que a informação seja divulgada para inibir a ação dos agressores e pressionar as autoridades a tomar medidas concretas”, defendeu.

O radialista Davi Alves e o jornalista Bruno Wendel falaram das agressões e ameaças que sofreram. Davi, da Rádio Alvorada FM, de Jeremoabo, foi agredido enquanto realizava uma reportagem naquele município, apurando denúncia de que recursos públicos estariam sendo empregados em obras particulares. Já Bruno sofreu ameaças após uma reportagem do jornal O Correio. Ele mostrou um soldado da Polícia Militar preso por suspeitas de participar de um grupo de extermínio em Vila de Abrantes, em Camaçari.

Desdobramentos

Fizeram ainda intervenções no evento o presidente da ABI-Bahia, Ernesto Marques, a deputada federal Lídice da Mata (PSDB), o jornalista Fábio Costa Pinto, os vereadores Silvio Humberto (PSB) e Roberta Caires (Patriotas), além de representações de ONGs e instituições que defendem os direitos humanos, bem como outros profissionais de imprensa.

Um relatório da audiência será formulado com as opiniões e proposições apresentadas pelos debatedores, que será compartilhada com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, conforme informou a vereadora Marta Rodrigues. O documento também será enviado ao governo do Estado e ao Tribunal de Justiça da Bahia.

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