Home SinjorBA Assembleia Geral aprova pauta da Campanha Salarial 2026 dos jornalistas da Bahia

Assembleia Geral aprova pauta da Campanha Salarial 2026 dos jornalistas da Bahia

por Fernanda Gama

Os jornalistas da Bahia aprovaram, em Assembleia Geral, promovida pelo Sinjorba nesta quarta-feira (25), a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026. O encontro ocorreu de forma virtual e reuniu profissionais da categoria para debater os principais desafios do jornalismo e definir as diretrizes da negociação coletiva deste ano.

Durante a assembleia, a presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, apresentou as diretrizes da Campanha Salarial Nacional Unificada, coordenada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que, neste ano, tem como tema “A notícia vale. Quem produz, também”, com o eixo político “Chega de precarização no jornalismo”.

A pauta dos jornalistas da Bahia segue essas diretrizes nacionais e incorpora demandas que refletem a realidade local da categoria, articulando a luta por melhores salários com o enfrentamento às condições precárias de trabalho.

Segundo Fernanda Gama, a campanha vai além da reposição salarial e busca enfrentar problemas estruturais do setor. “A pejotização, a falta de respeito à jornada, a ausência de um piso nacional e a própria Lei do Multimídia, aprovada recentemente, são expressões desse processo de precarização que precisamos enfrentar coletivamente. Sem mobilização, a gente não conquista resultados e não consegue avançar na garantia dos nossos direitos”, destacou.

Entre os principais pontos da pauta aprovada estão o reajuste salarial com reposição das perdas inflacionárias e ganho real, valorização dos pisos salariais, revisão das verbas indiretas, respeito à jornada legal de trabalho, combate à pejotização e a defesa da valorização profissional como condição para a qualidade do jornalismo.

A campanha salarial deste ano segue as diretrizes nacionais da Fenaj, com o tema “A notícia vale. Quem produz, também” e foco no enfrentamento à precarização no jornalismo.

 Precarização e cenário do mercado

O debate também evidenciou o cenário de precarização enfrentado pelos jornalistas, marcado pela deterioração das condições de trabalho, avanço de vínculos precários e intensificação das cobranças sobre os profissionais.

Para o diretor do Sinjorba e vice-presidente da Fenaj, Moacy Neves, esse contexto revela o aprofundamento da exploração no setor. “O que vemos hoje é um modelo de trabalho cada vez mais precarizado, com salários incompatíveis com a importância do jornalismo e condições que empurram os profissionais para uma lógica de máxima exploração”, afirmou.

Dados apresentados durante a reunião também indicam a estagnação do mercado formal de trabalho no jornalismo, com saldo praticamente nulo de novos empregos na Bahia e retração em nível nacional, reforçando a necessidade de fortalecimento da mobilização coletiva.

 Mobilização avança com assembleias por veículos

A assembleia também marcou o início das mobilizações da campanha, com a realização de encontros específicos por veículos e segmentos da categoria, nos quais serão debatidas pautas complementares conforme a realidade de cada local de trabalho.

Nesta quinta-feira (26), serão realizadas as assembleias com os jornalistas da Tribuna da Bahia, às 10h30, e dos jornais A TARDE, MASSA e A TARDE Online, às 11h30, ambas em formato virtual. Já os profissionais do jornal Correio terão assembleia presencial no mesmo dia, às 13h30, na redação do veículo, localizada na Federação, em Salvador.

O Sinjorba convoca os jornalistas a participarem das próximas plenárias e atividades da campanha, destacando que quanto maior a mobilização, maior será a força da categoria na luta por direitos, valorização profissional e melhores condições de trabalho.

Confira abaixo a Pauta de Reivindicações de 2026.
1. Extensão do acordo coletivo em vigor até o fechamento do novo acordo em todas as empresas;
2. Reajuste pelo INPC (maio/25 a abril/26);
3. Aumento real de 5%;
4. Piso salarial para jornada de 5 horas de R$ 4.952,52;
5. Reajuste das verbas indiretas pelo IPCA + 5%;
6. Pagamento de hora extra com adicional de 100%;
7. Tíquete-refeição no valor diário de R$ 40,00;
8. Jornada de 4 horas para estagiários de jornalismo, com percentual de vagas estabelecido em 20% do número de jornalistas contratados em regime CLT, conforme determina a lei;
9. Implantação de plano de cargos e salários;
10. Contratação de jornalistas somente com registro profissional fornecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego;
11. Notificação do trabalhador por meio de aplicativos de mensagens apenas durante a sua jornada de trabalho;
12. Garantia de emprego para quem estiver a 3 anos da aposentadoria;
13. Implantação, onde não houver, de uma política de saúde mental para os jornalistas, com ações efetivas no sentido de promover o bem-estar dos colaboradores;
14. Elaboração, onde não houver, de protocolos de educação e combate ao assédio moral e sexual nos locais de trabalho;
15. Estabelecimento de políticas de igualdade de oportunidades de gênero, raça e orientação sexual na ocupação de cargos de chefia;
16. Contrapartidas para a atuação multitarefas de jornalistas, com pagamento de adicional por material efetivamente utilizado (foto, vídeo, texto ou conteúdo em plataformas diversas do contrato de trabalho), conforme tabela a ser negociada com o sindicato;
17. Contratação de jornalistas somente pelo regime CLT;
18. Reajuste salarial dos contratados em regime diverso da CLT nos mesmos moldes dos trabalhadores com vínculo empregatício;
19. Estabelecimento de cronograma de formalização dos trabalhadores contratados em regime diverso da CLT, nas empresas que utilizam trabalho pejotizado;
20. Implantação de programas de plano de saúde para os empregados;
21. Estabelecimento de regras para o uso de IA nos locais de trabalho, garantindo que a tecnologia não prejudique empregos, funções ou direitos nem substitua a força de trabalho, sempre mediante diálogo entre empresas, trabalhadores e sindicato.