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Dados apresentados em oficina do Sinjorba revelam baixa presença de fontes femininas nas notícias

Pesquisa internacional mostra que mulheres são apenas 19% dos sujeitos das notícias no Brasil

por Fernanda Gama

Dados do Projeto Global de Monitoramento da Mídia (GMMP 2025) revelam que as mulheres continuam sub-representadas nas notícias no Brasil e no mundo. As informações foram apresentadas pela jornalista e professora Letícia Campos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), durante a oficina “Protocolo Antifeminicídio – Como a imprensa pode contribuir para o fim da violência de gênero”, realizada no último dia 12, no auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), como parte da programação da 6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba.

Durante a atividade, a pesquisadora apresentou resultados do maior estudo global sobre gênero nas notícias, realizado desde 1995 e repetido a cada cinco anos. Em sua sétima edição, o levantamento contou com a participação de 94 países, analisando a presença e o papel das mulheres na produção e na representação das notícias.

Segundo os dados mais recentes, as mulheres representam apenas 26% das pessoas que aparecem, são ouvidas ou mencionadas nas notícias tradicionais, enquanto quase três quartos das vozes presentes na mídia ainda são masculinas.

Para a presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate dentro da própria profissão. “Quando as mulheres aparecem menos como fontes ou personagens das notícias, isso significa que a sociedade também está sendo retratada de forma incompleta. É papel do jornalismo buscar uma cobertura mais diversa e representativa”, afirmou.

Situação no Brasil

Levantamento do Projeto Global de Monitoramento da Mídia (GMMP 2025), apresentado na oficina do Sinjorba, revela a baixa participação de mulheres como fontes nas notícias no Brasil.

No Brasil, os números são ainda mais desiguais. O estudo aponta que apenas 19% dos sujeitos das notícias são mulheres, contra 81% de homens, o que evidencia uma forte disparidade de gênero na representação jornalística.

A presença feminina também é reduzida quando se observa os temas considerados centrais para o debate público. Nas notícias sobre política, economia e crime ou violência, por exemplo, as mulheres aparecem em apenas 22% dos casos, enquanto em esportes o percentual cai para 8%.

Os maiores índices de participação feminina ocorrem em áreas tradicionalmente associadas ao cuidado, como ciência e saúde, com 39%, e em matérias sobre violência de gênero, onde as mulheres representam 42% das fontes ou personagens centrais.

Outro dado destacado na apresentação mostra que as mulheres tendem a aparecer nas notícias em papéis de menor autoridade, sendo menos citadas como especialistas ou fontes institucionais. Já entre fontes políticas ou parlamentares, apenas 20% são mulheres.

Por outro lado, elas aparecem com mais frequência em reportagens relacionadas a experiências pessoais, como testemunhas de acontecimentos ou personagens de histórias individuais.

Jornalistas e estudantes acompanharam a apresentação de dados sobre a presença de mulheres nas notícias e debateram os desafios para ampliar a participação feminina como fontes no jornalismo. (Foto: Ascom ABI)

Cobertura da violência de gênero ainda é limitada

O levantamento também aponta que a cobertura sobre violência de gênero representa apenas entre 1% e 2% das notícias, enquanto apenas entre 3% e 6% das matérias desafiam estereótipos de gênero.

Além disso, mulheres ainda são frequentemente identificadas nas notícias por meio de relações familiares, sendo apresentadas como mãe, esposa ou filha de alguém. Esse tipo de identificação aparece com mais frequência quando se trata de personagens femininas do que masculinas.

Diversidade nas redações influencia a cobertura

Durante a apresentação, Letícia Campos também destacou que a presença de mulheres nas redações pode contribuir para ampliar a diversidade de vozes nas notícias. Segundo o estudo, reportagens produzidas por jornalistas mulheres tendem a incluir mais fontes femininas do que aquelas produzidas por homens.

A pesquisadora ressaltou que ampliar a participação feminina na mídia é fundamental para garantir uma cobertura mais plural e representativa da sociedade. “O monitoramento mostra que ainda existe um déficit democrático na representação das mulheres nas notícias. Sem a presença das mulheres nas narrativas jornalísticas, não temos um retrato completo da realidade”, destacou Letícia Campos.

A apresentação integrou a programação da oficina antifeminicídio promovida pelo Sinjorba e pela ABI, que reuniu jornalistas, estudantes e especialistas para discutir caminhos para uma cobertura mais responsável da violência contra as mulheres.