A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) iniciou oficialmente, neste mês de janeiro, a Campanha Salarial Nacional Unificada dos Jornalistas 2026, lançada em dezembro durante o 40º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em Brasília. A campanha, que tem como mote “A NOTÍCIA VALE. QUEM PRODUZ, TAMBÉM.”, foi apresentada durante o congresso pela secretária de Mobilização e Negociação Salarial da Fenaj e presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia (Sinjorba), Fernanda Gama, marcando o início de uma mobilização nacional em defesa da valorização profissional e do jornalismo.
O lançamento da campanha ocorreu durante painel que debateu os impactos da pejotização, da informalidade e das novas formas de contratação no jornalismo brasileiro. A partir de agora, a campanha entra oficialmente em sua fase ativa, orientando as negociações coletivas em todo o país e unificando as pautas dos sindicatos filiados à Fenaj, entre eles o Sinjorba.
A Campanha Salarial Nacional Unificada parte do entendimento de que a precarização do trabalho jornalístico não é apenas um problema trabalhista, mas um ataque direto ao direito à informação de qualidade. Redações enxutas, contratos frágeis, jornadas irregulares e ausência de direitos comprometem não apenas os profissionais, mas também a produção jornalística e o interesse público.
Para Fernanda Gama, ao adotar um mote que dialoga com a sociedade, a Fenaj reforça que valorizar o jornalismo passa, necessariamente, por garantir salários dignos, condições decentes de trabalho e respeito aos direitos trabalhistas. “A precarização do jornalismo não afeta apenas os profissionais, ela compromete a própria informação. A campanha salarial nacional unificada é o instrumento coletivo que nos permite enfrentar a pejotização, fortalecer os sindicatos e recolocar a valorização profissional no centro do debate”, destacou a dirigente.
Na mesma linha, o vice-presidente da Fenaj e diretor de Finanças do Sinjorba, Moacy Neves, ressaltou que o principal desafio agora é transformar a campanha nacional em ações concretas nos estados. “A campanha salarial unificada só cumpre seu papel quando chega à base, quando orienta as mesas de negociação e fortalece a mobilização nos sindicatos. É fundamental que a pauta nacional seja colocada em prática na Bahia e em todo o país, dialogando com a realidade local, mas mantendo a unidade da categoria”, afirmou.
Principais reivindicações da categoria
Entre os eixos centrais da Campanha Salarial Nacional Unificada 2026 estão:
- Salário digno e trabalho decente, com respeito aos direitos trabalhistas e à negociação coletiva;
- Ampliação e valorização dos pisos salariais, garantindo ganhos acima da inflação;
- Respeito à jornada legal, com pagamento correto de horas extras, adicional noturno e descanso semanal remunerado;
- Combate à precarização do trabalho, especialmente ao uso irregular de contratos de Pessoa Jurídica (PJ) e MEI para mascarar vínculos empregatícios;
- Igualdade de oportunidades, com enfrentamento às desigualdades de gênero, raça e orientação sexual;
- Combate ao etarismo nas redações, garantindo a permanência e valorização de jornalistas experientes;
- Valorização profissional como pilar da qualidade jornalística, reconhecendo que boas condições de trabalho impactam diretamente a qualidade da informação;
- Aprovação da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como “PEC do Diploma”, reafirmando a exigência da formação superior em Jornalismo como garantia de qualificação profissional;
- Fortalecimento da organização sindical, como instrumento fundamental de defesa de direitos, negociação coletiva e resistência à fragmentação da categoria.
Contra a falsa autonomia e pela organização coletiva
A campanha também enfrenta o discurso da chamada “autonomia” associada à pejotização. Para a Fenaj e o Sinjorba, a transformação forçada de jornalistas em CNPJ retira direitos, transfere riscos ao trabalhador e fragiliza a categoria como um todo.
As entidades reforçam que ter CNPJ não elimina a condição de trabalhador e não impede a representação sindical. Ao contrário, diante da fragmentação do mercado de trabalho, a organização coletiva torna-se ainda mais essencial para garantir direitos, proteger profissionais e fortalecer o jornalismo brasileiro.
Mobilização nacional ao longo de 2026
Ao longo de 2026, a Campanha Salarial Nacional Unificada orientará as mesas de negociação, mobilizações, debates públicos e ações políticas da Fenaj e dos sindicatos de jornalistas em todo o país. A proposta é fortalecer uma pauta comum, dar visibilidade nacional às reivindicações da categoria e dialogar com a sociedade sobre a importância de valorizar quem produz informação.
“A notícia vale. Quem produz, também.” Mais do que um slogan, o mote da campanha expressa uma convicção compartilhada pelo Sinjorba: não há democracia forte sem jornalismo valorizado, e não há jornalismo de qualidade sem direitos, dignidade e organização coletiva.



