Home SinjorBA Justiça suspende assembleia de criação de sindicato “multimídia” na Bahia após ação do Sinjorba

Justiça suspende assembleia de criação de sindicato “multimídia” na Bahia após ação do Sinjorba

por Fernanda Gama

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) conseguiu impedir, nesta quinta (09), por meio de liminar da Justiça do Trabalho, a realização da assembleia que criaria o chamado Sindicato dos Profissionais Multimídia.

Na decisão, a Justiça apontou a existência de sobreposição entre as atividades dos jornalistas e dos chamados profissionais “multimídia”, além de possível afronta ao princípio constitucional da unicidade sindical.

Paralelamente à atuação jurídica, conduzida pelo advogado do Sinjorba, Victor Gurgel, o Sindicato também se mobilizou presencialmente no local, ao lado do Sindicato dos Radialistas da Bahia (Sinterp), para evitar qualquer tentativa de descumprimento da ordem judicial. A mobilização contou ainda com o apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-BA) e de entidades sindicais parceiras, que estiveram presentes em defesa dos direitos dos trabalhadores da comunicação.

Ao chegarem ao local indicado no edital de convocação, os dirigentes constataram que a sala informada não estava em funcionamento e, inclusive, passava por reforma. O responsável pela convocação da assembleia chegou  às 9h20,  pouco antes do horário previsto para o encerramento da segunda convocação, sem que houvesse qualquer outro participante vinculado à iniciativa. As únicas pessoas presentes eram os representantes das entidades que foram até o local para acompanhar a situação e garantir o cumprimento da decisão judicial. O cenário causou estranheza e reforçou a preocupação das entidades com a condução de todo o processo.

Para a presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, o resultado fortalece a luta da categoria contra a precarização e a fragmentação da representação sindical. “A Justiça acolheu um argumento que temos sustentado desde o início: tecnologia não cria uma nova profissão. Jornalismo multimídia continua sendo Jornalismo. Não vamos aceitar que tentem enfraquecer nossa categoria e desrespeitar direitos historicamente conquistados”, afirmou.

Precarização disfarçada de “nova profissão”

Para o Sinjorba, a tentativa de criação do sindicato “multimídia” representa uma estratégia de precarização das profissões já regulamentadas na comunicação e atende aos interesses dos patrões do setor. O chamado “profissional multimídia” não configura uma nova categoria, mas sim uma adaptação das atividades já exercidas por jornalistas e radialistas no ambiente digital.

“Produzir, editar e difundir conteúdo em diferentes plataformas sempre fez parte do exercício do jornalismo. A tecnologia transforma as ferramentas, mas não cria uma nova profissão. A criação de uma entidade sindical paralela, nesse contexto, representa uma tentativa de fragmentar a representação dos trabalhadores e enfraquecer direitos historicamente conquistados”, acrescenta Fernanda.

Luta nacional contra a precarização

A iniciativa na Bahia segue um movimento já enfrentado em âmbito nacional. No final de março, entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e entidades de radialistas conseguiram barrar a criação de um sindicato nacional da mesma natureza, em São Paulo. A justiça também suspendeu a assembleia, atendendo pedido formulado pela Federação Nacional dos Radialistas (Fenarte).

Para o vice-presidente da FENAJ, Moacy Neves, a disputa vai além de um caso pontual. “Estamos diante de uma tentativa de reorganizar o ambiente do trabalho na comunicação sem respeitar a história das categorias, seus marcos legais, seus direitos e conquistas”, afirma.

Para ele, o que os patrões da comunicação querem, em especial os de TV e Rádio, que estão por traz da criação dessa “nova” profissão, é um ambiente de trabalho com jornalistas e radialistas, só que contratados como “multimídias”. “Eles querem nos contratar sem a proteção dos acordos e convenções coletivas atuais, que garante pisos e conquistas sociais, além de desrespeitar a jornada especial de 5h e 6h diárias das duas categorias”, conclui Moacy.

Apesar da vitória, o Sinjorba alerta que a mobilização continua em conjunto com a FENAJ, sindicatos de outros estados e centrais sindicais, para impedir iniciativas que fragilizem os direitos dos trabalhadores da comunicação e a estrutura sindical construída historicamente.