A 6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba foi encerrada na última quinta-feira (12) com a realização da oficina “Protocolo Antifeminicídio – Como a imprensa pode contribuir para o fim da violência de gênero”, promovida em parceria com a Associação Bahiana de Imprensa (ABI). A atividade reuniu jornalistas, radialistas e estudantes de Jornalismo para refletir sobre o papel da imprensa na abordagem de casos de violência contra mulheres.
Realizada no auditório da ABI, a oficina foi aberta pela presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, e debateu a importância de uma cobertura jornalística responsável e comprometida com os direitos humanos, evitando a reprodução de estereótipos, a culpabilização das vítimas e a naturalização da violência de gênero. “A forma como o jornalismo retrata a violência contra as mulheres tem impacto direto na maneira como a sociedade compreende esse problema. Por isso, é fundamental que os profissionais da comunicação estejam preparados para tratar esse tema com responsabilidade, sensibilidade e compromisso com os direitos humanos”, afirmou Fernanda.
Durante a oficina, a professora Letícia Campos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou dados do Projeto Global de Monitoramento da Mídia, trazendo reflexões sobre a presença das mulheres na imprensa e sobre como temas relacionados à violência de gênero são retratados nos veículos de comunicação.
Na sequência, a presidenta da ABI, Sueli Temporal, apresentou os objetivos do Protocolo Antifeminicídio – Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística, elaborado em 2024 por diretoras da entidade como instrumento de orientação para profissionais da comunicação. A jornalista Suzana Alice Pereira, idealizadora do protocolo, também participou do debate, abordando o processo de construção do documento e sua importância para qualificar a cobertura jornalística sobre casos de violência contra mulheres.

Sinjorba e ABI reuniram jornalistas e especialistas em oficina sobre cobertura do feminicídio durante a 6ª Jornada de Mulheres. (Foto: Ascom ABI)
A diretora do Sinjorba e primeira-secretária da ABI, Jaciara Santos, que trabalhou por muitos anos na editoria policial, conduziu a parte prática da oficina, analisando exemplos da cobertura jornalística e discutindo como aplicar as diretrizes do protocolo no cotidiano das redações. Entre as recomendações estão evitar a culpabilização da vítima, não expor familiares de forma desnecessária, não romantizar ou justificar a violência e contextualizar os casos como parte de um problema estrutural da sociedade, e não como episódios isolados ou “crimes passionais”.
“Na cobertura policial, muitas vezes o jornalista acaba reproduzindo automaticamente versões presentes em boletins de ocorrência ou dependendo exclusivamente de fontes policiais. É preciso ter cuidado com isso e buscar uma abordagem mais responsável e contextualizada dos casos de violência contra as mulheres”, alertou Jaciara.
O debate foi mediado por Cláudia Correia, integrante da Comissão de Mulheres do Sinjorba, e contou com a participação dos presentes, que puderam tirar dúvidas, compartilhar experiências e opinar sobre o tema, ampliando a reflexão sobre o papel do jornalismo no enfrentamento da violência de gênero.
6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba
A oficina marcou o encerramento da 6ª Jornada de Mulheres do Sinjorba, realizada ao longo do mês de março com o tema “Lute como uma Jornalista – Diga NÃO ao feminicídio”.
A programação teve início no dia 7 de março, com a Aula de Baleado #ComAImprensa, realizada no evento Verão Pé na Areia. A atividade reuniu jornalistas e comunicadores em um momento de integração, esporte e convivência entre colegas da imprensa.
No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Sinjorba participou do ato do 8M. A mobilização reuniu movimentos sociais, entidades e a sociedade civil em defesa da vida das mulheres e pelo enfrentamento à violência de gênero, com caminhada do Cristo da Barra até o Farol da Barra.
A Jornada de Mulheres acontece anualmente no mês de março, organizada pela Comissão de Mulheres do Sinjorba, com o objetivo de promover debates, formação e mobilização da categoria em torno da defesa dos direitos das mulheres, do enfrentamento à violência de gênero e do fortalecimento de uma cobertura jornalística mais responsável sobre esses temas.
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