Home SinjorBA Profissionais sindicalizados ganham, em média, 55% a mais, diz IBGE

Profissionais sindicalizados ganham, em média, 55% a mais, diz IBGE

Crescimento do Sinjorba reflete retomada da confiança na organização coletiva

por Fernanda Gama

Profissionais filiados a sindicatos ganham, em média, 55% a mais do que aqueles que não são associados a nenhuma entidade sindical. No setor da Comunicação, onde estão inseridos os jornalistas, essa diferença chega a 53%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sistematizados pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Os números nacionais ajudam a explicar um movimento que também vem sendo observado na Bahia: o crescimento do número de jornalistas que optam por se manter filiados e em dia com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba).

Em junho de 2019, o Sinjorba contabilizava 186 filiados adimplentes, que puderam participar do pleito eleitoral que elegeu o grupo que vem dirigindo a entidade desde então. Já em dezembro de 2025, esse número saltou para 437 jornalistas em dia com suas obrigações, mais que dobrando em pouco mais de seis anos. Se contabilizarmos os filiados que estão com até 6 mensalidades em aberto, ou seja, não são inadimplentes permanentes, este número se aproxima de 600.

Os dados evidenciam uma retomada da confiança da categoria na organização sindical como instrumento fundamental de defesa profissional, econômica e política. E que enxergam no Sinjorba um instrumento que serve aos interesses coletivos e deve ser fortalecido.

Para a presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama, os números confirmam, na prática, o impacto direto da sindicalização na vida profissional dos jornalistas. “Os dados mostram algo que a gente sente no cotidiano da luta sindical: jornalistas sindicalizados têm mais força para negociar salários, defender direitos e enfrentar a precarização. O crescimento do Sinjorba é resultado de uma atuação mais próxima da base e da compreensão, por parte da categoria, de que só a organização coletiva é capaz de garantir avanços concretos”, afirmou.

De acordo com o levantamento nacional, enquanto o rendimento médio dos trabalhadores sindicalizados no setor da Comunicação foi de R$ 6.482,00, o dos não sindicalizados ficou em R$ 4.228,00. A diferença salarial reforça que melhores condições de trabalho não são fruto do acaso, mas do fortalecimento das entidades representativas.

O vice-presidente da Fenaj e dirigente do Sinjorba, Moacy Neves, destaca que a retomada do crescimento da sindicalização ocorre após um longo período de ataques às entidades sindicais no Brasil. “Durante anos houve uma tentativa deliberada de enfraquecer os sindicatos, seja por meio da reforma trabalhista, da retirada de fontes de financiamento ou da deslegitimação da organização coletiva. O que vemos agora é uma virada: os trabalhadores voltam a perceber que sindicato forte significa salário melhor, direitos preservados e mais proteção frente às transformações do mundo do trabalho”, ressaltou.

Da queda pós-2012 à retomada recente

Apesar do crescimento registrado nos últimos anos, o número de filiados atualmente ainda pode ser inferior ao observado em 2012, período anterior à ofensiva contra os sindicatos. A precarização das relações de trabalho, o avanço da pejotização e o enfraquecimento da negociação coletiva impactaram diretamente os índices de sindicalização em todo o país.

Esse cenário, no entanto, começa a se reverter. Pela primeira vez desde 2012, a taxa nacional de sindicalização voltou a crescer entre um ano e outro, passando de 8,4% em 2023 para 8,9% em 2024. Na Bahia, o crescimento do Sinjorba acompanha essa tendência e reforça que jornalistas voltam a enxergar o sindicato como um espaço essencial de proteção, representação e conquista de direitos. “Mais do que estatística, os números demonstram que onde há sindicato forte, há profissão valorizada”, finaliza Fernanda.