Após a abertura da campanha salarial dos jornalistas baianos, realizada durante a Feijoada.com, no final de janeiro, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) dá início a uma nova etapa do processo de mobilização da categoria. A entidade convoca Assembleia Geral para discussão e aprovação da pauta de reivindicações que será encaminhada às empresas e contratantes de serviços jornalísticos, tendo como referência a data-base da categoria, em 1º de maio.
A Assembleia Geral será realizada no dia 25 de março de 2026 (quarta), às 9h, em primeira convocação, e às 9h30 em segunda convocação, em sala virtual do Sinjorba, por meio da plataforma Zoom. Na ocasião, os jornalistas irão debater e deliberar sobre as propostas que nortearão a negociação coletiva deste ano.
Como parte da organização da campanha, o Sinjorba também iniciará, na sequência, as assembleias específicas dos principais veículos impressos do estado. No dia 26 de março, serão realizadas as assembleias com os jornalistas da Tribuna da Bahia, às 10h30, e dos jornais A TARDE, MASSA e A TARDE Online, às 11h30, ambas em formato virtual. Já os profissionais do jornal Correio terão assembleia presencial no mesmo dia, às 13h30, na redação do veículo, localizada na Federação, em Salvador.
Nos próximos dias, serão convocadas assembleias para os demais segmentos da categoria, incluindo jornalistas de sites de notícias, assessorias de comunicação em sindicatos, órgãos do Governo do Estado, prefeituras e outras instituições. O objetivo é garantir que todas as áreas de atuação participem da construção coletiva da pauta e do fortalecimento da mobilização.
Campanha Nacional
A campanha salarial na Bahia integra a Campanha Salarial Nacional dos Jornalistas, coordenada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que neste ano tem como slogan “A NOTÍCIA VALE, QUEM PRODUZ, TAMBÉM”. A mobilização de 2026 terá como eixo central a luta por melhores salários, condições dignas de trabalho e maior valorização profissional, além do enfrentamento à precarização e à pejotização no setor.
Mais do que uma negociação econômica, a campanha também incorpora pautas estruturais, como jornada de trabalho, saúde dos profissionais, combate ao assédio moral e defesa do exercício profissional do jornalismo, reafirmando o papel estratégico da categoria para a democracia e o direito à informação.
Entre os eixos centrais da Campanha Salarial Nacional Unificada 2026 estão:
• Salário digno e trabalho decente, com respeito aos direitos trabalhistas e à negociação coletiva;
• Ampliação e valorização dos pisos salariais, garantindo ganhos acima da inflação;
• Respeito à jornada legal, com pagamento correto de horas extras, adicional noturno e descanso semanal remunerado;
• Combate à precarização do trabalho, especialmente ao uso irregular de contratos de Pessoa Jurídica (PJ) e MEI para mascarar vínculos empregatícios;
• Igualdade de oportunidades, com enfrentamento às desigualdades de gênero, raça e orientação sexual;
• Combate ao etarismo nas redações, garantindo a permanência e valorização de jornalistas experientes, com garantia no emprego para quem estiver há 3 anos da aposentadoria;
• Valorização profissional como pilar da qualidade jornalística, reconhecendo que boas condições de trabalho impactam diretamente a qualidade da informação;
• Aprovação da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como “PEC do Diploma”, reafirmando a exigência da formação superior em Jornalismo como garantia de qualificação profissional;
• Fortalecimento da organização sindical, como instrumento fundamental de defesa de direitos, negociação coletiva e resistência à fragmentação da categoria;
• Combate à Lei do Multimídia, aprovada pelos patrões do Jornalismo para ampliar a exploração do jornalista precarização do trabalho nas redações.
Participação
O Sinjorba convoca todos os jornalistas a participarem das assembleias e das mobilizações da campanha. A participação da categoria é fundamental para fortalecer a luta coletiva. “É preciso compreender que o jornalista é um trabalhador que vende sua força de trabalho e que, isoladamente, tem poucas condições de enfrentar a exploração e defender sua dignidade profissional e salarial”, diz a presidenta do Sinjorba, Fernanda Gama.
A organização coletiva é a principal ferramenta de resistência. “Enquanto muitos ainda aguardam o ‘momento ideal’ para se organizar em torno do Sinjorba e da Fenaj, os patrões do setor, bem organizados e unidos, avançam, mantêm salários baixos e atuam politicamente no Congresso Nacional para aprovar medidas que retiram direitos e fragilizam a profissão, como a Lei do Multimídia ou impedir aprovação de legislações que nos favoreçam, como a PEC do Diploma e o Piso Salarial”, completa Fernanda.
A mobilização da categoria será decisiva para o resultado das negociações deste ano. Quanto maior a participação dos jornalistas, maior será a força do Sindicato na defesa de melhores condições de trabalho e de valorização da profissão.



