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Sinjorba e FENAJ criticam espetacularização da violência em workshop da Polícia Civil da Bahia

Moacy Neves defendeu comunicação pública responsável e alertou que o sensacionalismo na cobertura policial amplia a sensação de insegurança na sociedade

por Fernanda Gama

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) participaram, na quinta (15), do 2º Workshop de Comunicação da Polícia Civil da Bahia, realizado no Teatro 2 de Julho, no Irdeb, em Salvador. Promovido pela Academia de Polícia Civil (Acadepol), o evento reuniu 140 servidores, entre delegados, investigadores e escrivães, para debater o aprimoramento da comunicação institucional.

Representando as duas entidades, Moacy Neves, diretor do Sinjorba e vice-presidente da FENAJ, participou do Painel 1 – “Transparência, Combate à Desinformação e Fake News, com ênfase na inclusão e acessibilidade na comunicação do Estado”. Dividiu a mesa com Washington de Souza, diretor da Faculdade de Comunicação da UFBA (Facom). O debate foi mediado pelos assessores de comunicação Tony Silva, da Polícia Civil, e Talita Brito, do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Sensacionalismo x insegurança

Um dos principais pontos da intervenção de Moacy foi a crítica aos veículos de comunicação que abandonam os princípios do jornalismo ético e responsável para transformar a violência em espetáculo, explorando crimes, tragédias e o sofrimento humano em busca de audiência e cliques.

O dirigente alertou que a repetição exaustiva de imagens violentas, a exploração emocional das ocorrências e a ausência de contextualização podem produzir na população uma percepção de insegurança desproporcional à realidade demonstrada pelos indicadores da criminalidade.

Moacy instou a Polícia Civil a não alimentar esse modelo de cobertura, evitando a exposição desnecessária de vítimas e suspeitos, a divulgação precipitada de informações e a transformação de operações policiais em espetáculos midiáticos. Ressaltou que isso não significa restringir o trabalho da imprensa, mas assegurar uma relação profissional baseada na transparência, no interesse público e no respeito aos direitos individuais.

Transparência e ética

Em sua apresentação, Moacy defendeu que a credibilidade das instituições públicas deve ser construída pela transparência e pela prestação de contas, e não pela propaganda institucional ou pela promoção de dirigentes. Destacou que divulgar informações não significa necessariamente comunicar. Para cumprir sua função social, a informação precisa ser verificada, contextualizada, compreensível e acessível à população.

“Na segurança pública, esses cuidados são especialmente importantes, pois uma informação equivocada pode provocar pânico, comprometer investigações ou expor pessoas indevidamente”, disse Moacy. Por isso, defendeu procedimentos rigorosos de checagem, respeito à presunção de inocência e diferenciação entre fatos comprovados e hipóteses investigativas.

Também abordou os desafios impostos pela inteligência artificial, que facilita a produção de textos, imagens, áudios e vídeos falsos com aparência de autenticidade, ampliando a necessidade de fontes institucionais confiáveis e de jornalismo profissional qualificado.

Outro ponto destacado foi a adoção de linguagem simples e recursos de acessibilidade, como Libras, legendas, descrição de imagens e documentos digitais acessíveis, para garantir o direito à informação de pessoas com deficiência, idosos e cidadãos com dificuldades de compreensão da linguagem técnica.

Integração da comunicação

A programação contou com um segundo painel, dedicado à comunicação integrada e à articulação entre as áreas administrativa e institucional. Participaram os professores Carlos Albuquerque e Paulo Ribeiro, com mediação do diretor da Acadepol, delegado Jackson Carvalho, e da diretora do DPSV, delegada Bárbara Lima. A delegada-geral adjunta Márcia Pereira participou do encontro representando a direção-geral da Polícia Civil.

A presença do Sinjorba e da FENAJ reforçou o compromisso das entidades com a defesa do jornalismo ético, da liberdade de imprensa e do direito da sociedade à informação. Para Moacy, o enfrentamento à desinformação exige instituições públicas responsáveis e uma imprensa comprometida com a apuração dos fatos, sem subordinar o interesse público à disputa por audiência.

“O Estado não precisa ser dono da verdade. Precisa ter compromisso permanente com a verdade, com a transparência e com o direito de todos à informação”, foi a mensagem que sintetizou sua apresentação.

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