Apresentação

Em dezembro de 2020, após mais de 9 meses de pandemia do novo coronavírus, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) contabilizou a perda de 79 profissionais em decorrência da Covid-19, uma média de 8,3 mortes por mês.

De janeiro a abril de 2021, em 4 meses, os números explodiram, com o registro de 124 óbitos, com média de 31 mortes por mês.

Jornalistas e radialistas não pararam seu trabalho, sem tréguas nem descanso, durante toda a pandemia.

Decreto Federal 10.288, de 22 de março de 2020, no seu artigo 4º, incluiu a imprensa como serviço essencial durante a pandemia: “São considerados essenciais as atividades e os serviços relacionados à imprensa, por todos os meios de comunicação e divulgação disponíveis, incluídos a radiodifusão de sons e de imagens, a internet, os jornais e as revistas, dentre outros”.

A maior parte dos veículos e contratantes de serviços de assessoria enviaram seus funcionários para casa para o home office, mantendo nas redações apenas aqueles profissionais necessários para a manutenção da cobertura. E, mesmo assim, tivemos relatos de surtos em algumas empresas, principalmente emissoras de TV e rádio.

Mas, de forma majoritária, havia um entendimento da necessidade de promover o isolamento social naquele momento.

Porém, no final do ano passado, com o arrefecimento da primeira onda da pandemia e a diminuição dos casos e mortes – e de posse do que está escrito no Decreto Federal 10.288/2020 -, os veículos de comunicação e os contratantes de serviços de assessoria convocaram seus empregados de volta ao trabalho presencial.

E quando o primeiro trimestre de 2021 chegou, com a implacável segunda onda da pandemia, jornalistas e radialistas estavam em maior número nas ruas e nas redações.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação, de janeiro de 2021, não incluiu os jornalistas entre as categorias de trabalhadores prioritárias para a vacina. Quem foi “essencial” para trabalhar no decreto de março de 2020, não foi prioritário para o Plano de Imunização lançado 10 meses depois.

A categoria está pagando um preço muito alto por esta contradição nos documentos federais e pela decisão das empresas de convocá-los ao trabalho presencial mesmo sem estarem vacinados, como mostram os números listados acima e outros que apresentaremos a seguir.