O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) encaminhou nesta quinta (08) uma carta à direção do Grupo A TARDE cobrando a abertura de negociações para enfrentar a precarização das relações de trabalho nas redações dos jornais A TARDE e MASSA!. O documento foi dirigido ao presidente da empresa, João Mello Leitão, ao diretor financeiro, Lucas Lago, e ao responsável pelo setor de Recursos Humanos, Raimundo Oliveira.
A iniciativa ocorre após sucessivas tentativas do Sindicato de negociar a atualização dos contratos dos jornalistas contratados como Pessoa Jurídica (PJ) durante as negociações salariais. Na carta, o Sinjorba alerta que a situação chegou a um ponto que exige providências concretas, mas reafirma sua disposição de buscar soluções por meio do diálogo.
Segundo levantamento realizado pela entidade, as duas redações contam atualmente com 75 jornalistas contratados como PJ, apenas 19 pela CLT e outros 24 estagiários de Jornalismo. Isso significa que, entre os 94 jornalistas profissionais identificados, aproximadamente 80% trabalham sob contratos de Pessoa Jurídica.
O Sindicato questiona a utilização dessa modalidade de contratação para profissionais que, segundo seus levantamentos, estão submetidos à mesma rotina editorial, às exigências de horário, à hierarquia e às condições de trabalho dos empregados formais. Essas circunstâncias já foram levadas ao Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA) e à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-BA), para apuração de possíveis relações de emprego não formalizadas.
Diferença salarial
Um dos principais pontos apresentados na carta é a desigualdade de remuneração entre jornalistas que desempenham funções equivalentes. O levantamento do Sinjorba aponta que profissionais contratados como PJ recebem entre R$ 2.300,00 e R$ 3.000,00 menos por mês do que jornalistas CLTs nas funções de repórter e editor.
A diferença é ainda maior quando considerados os benefícios assegurados aos empregados formais, como tíquete-refeição de R$ 616,00 mensais, auxílio home office de R$ 320,00 quinquênio de 3% do salário, auxílio-creche, participação da empresa no pagamento da assistência médica e auxílio-óculos.
Outro problema é o congelamento dos valores dos contratos PJs. O último realinhamento geral ocorreu em janeiro de 2023, após negociação com o Sinjorba, quando foram concedidos reajustes de 8% ou 12%, conforme o valor dos contratos. Desde então, enquanto os empregados CLTs tiveram seus salários atualizados por meio das negociações coletivas, os jornalistas contratados como pessoa jurídica permaneceram sem reajuste geral.
Na campanha salarial de 2026, o Sinjorba voltou a reivindicar a atualização desses valores. A empresa, entretanto, recusou a negociação coletiva sobre o tema, argumentando que os reajustes seriam tratados individualmente, justificativa que, segundo a entidade, também havia sido apresentada em 2024 e 2025. Os profissionais consultados pelo Sindicato, contudo, relataram que não ocorreram negociações individuais.
Negociação X Conflito
Apesar das providências já adotadas junto aos órgãos de fiscalização trabalhista, o Sinjorba considera que ainda existe espaço para uma solução negociada. Na carta, a entidade propõe uma reunião com a direção do Grupo A TARDE para discutir três questões centrais: realinhamento imediato dos valores dos contratos PJs, redução das desigualdades de remuneração e benefícios e regularização das relações de trabalho nos casos em que forem constatados os requisitos legais do vínculo de emprego.
O documento também lembra que o Sindicato tem contribuído para a construção de entendimentos com a empresa em outras questões, inclusive nas negociações relacionadas ao Acordo Global com jornalistas credores. Entretanto, lamenta que essa disposição para o diálogo não esteja encontrando reciprocidade no tratamento dos trabalhadores pejotizados. O Sinjorba alerta que a continuidade do impasse poderá agravar o conflito trabalhista, comprometer futuras negociações e ampliar a necessidade de medidas judiciais.
Para a entidade, a importância histórica do jornal A TARDE na imprensa baiana deve ser acompanhada de responsabilidade com os profissionais que produzem diariamente o conteúdo dos seus veículos. “O Sinjorba não reivindica privilégios. Reivindica trabalho digno, remuneração justa, respeito à legislação e valorização profissional”, afirma a carta.
O documento termina reiterando a disposição do Sindicato para o entendimento e solicitando que a empresa apresente uma resposta positiva, com a definição de uma data para o início das conversações. O Sinjorba aguarda agora uma manifestação da direção do Grupo A TARDE.


