Home SinjorBA SINJORBA participa de homenagem da Academia de Letras da Bahia ao centenário do jornalista Ariovaldo Matos

SINJORBA participa de homenagem da Academia de Letras da Bahia ao centenário do jornalista Ariovaldo Matos

Programação começou com exposição e palestras das professoras Mabel Mota e Edilene Matos

por Sinjorba

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia – SINJORBA, participou hoje (24.07), na Academia de Letras da Bahia, da abertura das celebrações dos 100 anos de nascimento do jornalista e escritor Ariovaldo Magalhães Matos, baiano de Salvador, da Rua da Poeira, e que veio ao mundo em 24 de agosto de 1926. Foi preso pela ditadura militar em 1964, e condenado, em 1970, pela Lei de Segurança Nacional. Faleceu aos 62 anos, em 8 de julho de 1988.

Ariovaldo foi redator e chefe de reportagem do jornal O Momento, fundado em 1945, e que era o porta-voz oficial do Partido Comunista. Fundou os semanários Folha da Bahia e Sete Dias; e o Jornal IC, em sociedade com José Gorender e Maurício Naiberg — autor de “Dez Dias que Abalaram a Imprensa da Bahia”. Exerceu a crônica política na Rádio Cultura e foi responsável pela formação de uma excepcional geração de jornalistas ao dirigir, também em parceria com Gorender, a “Escolinha de Jornalismo”, que foi o núcleo fundacional do Jornal da Bahia, em 1959. Entre esses pioneiros discípulos de Ariovaldo, destacam-se Guido Guerra, Otto Jambeiro, Glauber Rocha, entre outros”, diz.

Filóloga, a professora Mabel Mota destacou, em palestra na Academia, a resistência do jornalista Ariolvaldo Matos, crítico permanente das mazelas sociais e em defesa da liberdade, contra a censura, durante a ditadura militar instaurada no Brasil a partir de 1964. “Ariovaldo colocava muitos palavrões nos textos para que a censura se ativesse somente às questões dos costumes, mantendo a ação política do jornalista, escritor e empresário de comunicação, mas sempre militante político”, aponta Mabel.

“Era um lutador contra os moinhos de vento. Filho do jornalista e boêmio Artur Matos, era um irreverente. Jorge Amado lhe deu de presente um máquina de escrever. Texto forte, que aponta, inquieta, denuncia no jornalismo, na literatura, nos roteiros de dramaturgia e de cinema”, descreve a sobrinha de Ariovaldo, a professora Edilene Matos.

ESCRITOR

Como escritor, Ariovaldo publicou “Corta-Braço” (1955), “A Dura Lei dos Homens” (1960), “Últimos Sinos da Infância” (1965), Os Dias do Medo (1968, mas só publicado em 1979) e “Colagem Desvairada em Manhã de Carnaval” (1981). Para o teatro, escreveu: “A Escolha ou O Desembestado”, “A Engrenagem”, “Irani ou As Interrogações”, “E Todos Foram Heróis, Cada Qual ao Seu Modo” e “O Ringue”.- peça proibida pela censura da ditadura militar. Através de seu amigo, o escritor Guido Guerra, postumamente foram publicadas “A Ostra Azul” (1998); “Anjos Caiados” (2006); e “Cinco Peças e Uma História” (2018).

Além das palestras de hoje, a Academia de Letras da Bahia apresenta, na galeria Juarez Paraíso, uma exposição sobre a vida de Ariovaldo Matos

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