
Imagem: BNews
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) vem a público manifestar seu veemente repúdio às declarações proferidas pelo presidente do Partido Missão na Bahia, Davi Pirajá, durante ato de campanha do candidato à Presidência da República Renan Santos, realizado neste domingo (27), em Salvador.
Em seu discurso, o dirigente partidário defendeu a realização de chacinas em comunidades da capital baiana, ao afirmar que “tem que ter uma chacina no Bairro da Paz” e “em Planeta dos Macacos”, além de defender um “banho de sangue”.
É absolutamente inaceitável que uma liderança partidária utilize o espaço público para defender ações dessa natureza contra comunidades periféricas. Discursos que naturalizam chacinas, execuções e o uso indiscriminado da violência não podem ser tratados como propostas legítimas de enfrentamento à criminalidade.
A apologia pública de fato criminoso ou de autor de crime é conduta prevista no Código Penal Brasileiro. Diante da gravidade das declarações, cabe às autoridades competentes apurar os fatos e verificar eventual responsabilidade criminal e outras consequências previstas em lei.
As periferias de Salvador são territórios onde vivem milhares de trabalhadores, famílias, crianças e jovens e não podem ser transformadas, no discurso político, em espaços nos quais a violência e a morte sejam naturalizadas. Segurança pública deve ser discutida e construída com responsabilidade, inteligência, respeito à vida, inclusão social e estrito cumprimento da lei, e não com discursos que defendam o derramamento de sangue.
O Sinjorba registra que o procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira já acionou a Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia, solicitando a abertura de investigação sobre as declarações e o encaminhamento do caso à área eleitoral para análise de eventuais medidas cabíveis. O Sindicato defende a rigorosa apuração do episódio pelo Ministério Público do Estado da Bahia e demais autoridades competentes, inclusive na esfera eleitoral, considerando que as declarações foram proferidas durante um ato de campanha eleitoral.
O Sindicato também considera necessário o posicionamento das instâncias competentes do Partido Missão diante da conduta de seu presidente estadual e da gravidade das declarações proferidas publicamente.
O Sinjorba, que tem entre seus dirigentes o jornalista Paulo de Almeida Filho, morador do Bairro da Paz, reafirma, ainda, o papel fundamental do jornalismo profissional na cobertura responsável de discursos dessa natureza. Cabe à imprensa informar, contextualizar e submeter ao escrutínio público declarações de interesse da sociedade, contribuindo para que manifestações que defendam ou naturalizem a violência não sejam banalizadas.
Não aceitaremos que o ódio, a violência e a banalização da morte se imponham sobre o direito fundamental à vida e a dignidade humana. Comunidades periféricas não podem ser transformadas em alvos de discursos que defendem chacinas ou tratadas como moeda de troca em disputas políticas e eleitorais.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia – Sinjorba


