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Sinjorba se posiciona sobre episódio lamentável ocorrido na Rádio Clube de Conquista

por Fernanda Gama

Em nota publicada na manhã desta sexta (25), a diretoria do Sindicato dos Jornalistas da Bahia e posicionou acerca do episódio ocorrido na Rádio Clube de Vitória da Conquista no dia 22 de março, quando radialistas expulsaram do estúdio duas professoras que eram entrevistadas ao vivo na emissora. Veja abaixo íntegra da nota.

“Respeito ao contraditório é pilar do jornalismo imparcial, sério e ético”

Ficou um sentimento de lamento, tristeza e preocupação na diretoria do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) após seus membros assistirem a um vídeo que mostra os radialistas Humberto Pinheiro de Oliveira e Washington George Rodrigues (Rádio Clube FM 95,9, de Vitória da Conquista), expulsando dos estúdios da emissora duas professoras do município, dirigentes sindicais da entidade representativa da categoria.

Entrevistadas em um programa da rádio no dia 22 de março passado, Elenilda Ramos Lima e Greissy Leôncio Reis foram hostilizadas, desrespeitadas em seu direito de emitir opinião e censuradas após os comunicadores deixarem claro que eles é que decidem o que uma fonte entrevistada pode e não pode falar no microfone daquela emissora.

Lamento, porque tivemos neste fato exemplos variados de como em nossa sociedade está arraigada a intolerância com a opinião diferente, diversa. Tristeza porque o saque ao machismo e misoginia ainda é uma forma de imposição em pleno século XXI. E preocupação, porque quando a imprensa cumpre papel partidário abandona seu compromisso com a sociedade. O contrário, se o comunicador respeita sua audiência, exerce seu ofício com imparcialidade, questionando suas fontes de forma equilibrada e isenta, deixando ao público o direito à conclusão.

No caso, não houve sequer o direito de opinião, uma vez que as entrevistadas foram seguidamente interrompidas em suas respostas, sem poderem concluir seus raciocínios, com os radialistas exercendo o ato autoritário de cortar o microfone e expulsá-las do estúdio, bem como o extremo de citar fatos da vida pessoal das professoras como represália. Um final lamentável, que enxovalha a imprensa e escreverá este episódio nos anais da vergonha do jornalismo.

Como os dois profissionais citados não têm formação em Jornalismo, o Sinjorba pode apenas emitir uma opinião de reprovação. Não poderemos apontá-los nas infrações do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que se baseia no direito fundamental do cidadão à informação e a conduta profissional do jornalista.

Mas podemos, sim, lembrar aos envolvidos, que a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores. Assim como dizer que censura e autoritarismo vão na contramão de nosso ofício.

Da mesma forma como ressaltamos que esse comportamento específico não pode ser estendido como prática de todos os comunicadores, jornalistas e veículos que, em sua maioria, mesmo com falhas aqui ou ali, cumprem com retidão seu compromisso com a boa informação.

O jornalismo e seus profissionais vêm sofrendo ataques cotidianos, com aumento todos os anos do número de ocorrências agressivas, em especial após 2019, conforme mostram os números levantados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), entidade de trabalhadores, bem como pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), entidade patronal, em dois relatórios sobre 2021, recentemente publicados. Tudo o que não precisamos é que os próprios comunicadores deem motivos para que se justifique mais ataques e agressões.

Salvador, 25 de março de 2022

Moacy Carlos Almeida Neves – Presidente do Sinjorba

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