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Jornalistas baianas querem trabalho decente e sem violência

No mês dedicado à mulher, Sinjorba promove série de debates sobre questões de gênero que dificultam o trabalho feminino

por Fernanda Gama

Realizada em formato virtual, devido ao distanciamento social exigido pela Covid-19, a 3ª Jornada de Mulheres do Sindicato dos Jornalistas da Bahia marcou o Março Mulher do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba). Partindo do tema central “Trabalho Decente e sem Violência para as Jornalistas”, a programação foi desenvolvida nos dias 3, 4, 7 e 8 com a realização de quatro lives, que abordaram os subtemas Etarismo, Igualdade Salarial, Assédio e Violência contra Jornalistas e Mercado Decente.

A jornada foi aberta no dia 3, com um bate-papo virtual sobre Etarismo.  Mediada pela jornalista Jaciara Santos, da Comissão de Mulheres do Sinjorba, a live teve como convidada Anna Valéria Colares,uma referência no jornalismo televisivo baiano. Dona de invejável currículo, ela atuou por quase 40 anos em emissoras de TV afiliadas à Rede Globo e obteve destaque como editora-chefe, repórter e apresentadora do extinto Rede Bahia Revista – programa campeão de audiência nas noites de domingo da TV Bahia.

Ao longo de quase uma hora, Anna Valéria esbanjou simpatia e falou sem meias palavras sobre as dificuldades que o mercado impõe a profissionais mais velhas, em especial depois dos 50 anos. Sim, porque, embora alcance o gênero masculino, o fenômeno também chamado ageísmo, etarismo ou idadismo atinge mais fortemente a mulher.

“A gente vê jornalistas homens recebendo homenagens pelo tempo de atuação em TV, o que eu acho bacana”, pontuou a convidada. “Mas o mesmo não acontece em relação à mulher. Quando ela atinge determinada idade, é demitida ou jogada para escanteio, colocada em programas sem qualquer relevância”, comparou. Desligada da TV Bahia em 2019, a jornalista não obteve recolocação no mercado, apesar de continuar sendo uma referência na profissão.

No dia 4, a jornada abordou a desigualdade salarial entre homens e mulheres no jornalismo e em outros segmentos. Mediada por Gabriela de Paula, diretora do Sinjorba, a live teve como convidada Ana Georgina Dias, supervisora técnica regional do Dieese.

Com mediação de Regina Ferreira, diretora do Sinjorba, o bate-papo virtual do dia 7 enfocou o tema Assédio e Violência contra Jornalistas. Para falar sobre o assunto, a jornalista Driele Veiga, repórter da TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia.

A 3ª Jornada de Mulheres do Sinjorba foi encerrada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, com a live “Trabalho Decente e sem Violência para as Jornalistas”. Mediada pela vice-presidente da entidade, Fernanda Gama, o debate contou com a participação de Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que falou sobre os problemas enfrentados pela categoria no país e a importância da convenção 190 da OIT, primeira norma internacional para prevenir, punir e eliminar a violência no trabalho.

“O Sinjorba, por meio da sua Comissão de Mulheres, deu um passo importante no combate ao assédio e violência no trabalho ao pautar a discussão sobre a Convenção 190 da OIT. E trazer esse debate para a jornada de Mulheres Jornalistas mostra o compromisso e o esforço do Sindicato no combate à violência de gênero. É a Comissão de Mulheres mostrando sua importância para a organização e luta das jornalistas”, destacou a presidente da Fenaj.

A vice-presidente do Sinjorba comemora o sucesso do evento virtual e reafirma o compromisso da entidade na luta contra a violência no exercício profissional. “Seguiremos na linha de frente da resistência contra os ataques a nossa liberdade, aos nossos direitos e por um Brasil sem machismo, racismo e fome. Que continuemos, hoje e sempre, a lutar como uma jornalista”, ressalta Fernanda.

Os interessados podem assistir às lives, promovidas pela Comissão de Mulheres do Sinjorba, no Instagram oficial da entidade.

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