Durante muito tempo, algumas portas das redações pareciam ter gênero. Política, polícia, economia e esporte estavam entre as editorias ocupadas majoritariamente por homens — espaços de prestígio, decisão e poder dentro dos jornais.
Foi por essas portas que uma geração de jornalistas começou a passar, sobretudo a partir da década de 1970. Três delas, Isabel Santos, Jaciara Santos e Mônica Bichara, são hoje diretoras do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), como integrantes da Comissão de Ética da entidade. Suas trajetórias fazem parte do documentário “Entre a Caneta e o Poder: Mulheres no Jornalismo da Bahia”, de Daniel Talento, selecionado para o 8º FestCine Pedra Azul, que acontece nos dias 25 e 26 de setembro, em Pedra Azul, distrito de Domingos Martins, no Espírito Santo.
O filme recupera justamente esse movimento de ocupação. Em plena ditadura militar, quando a imprensa enfrentava a censura e as redações reproduziam uma divisão de espaços marcada também pelo gênero, mulheres começaram a conquistar áreas até então reservadas quase exclusivamente aos colegas homens.
Produzido pela Tia Maria Filmes, em coprodução com a Arpoador Audiovisual, o documentário reúne Carmela Talento, Mariluce Moura, Joana D’Arck (ex-diretora do Sinjorba), Isabel Santos, Mônica Bichara e Jaciara Santos, além da participação especial do jornalista e escritor Emiliano José. A trajetória de Carmela, mãe do diretor, foi o ponto de partida afetivo e narrativo do projeto.
As lembranças pessoais estão presentes no filme, mas ajudam a contar uma história maior. São experiências de quem viveu por dentro as mudanças de uma profissão na qual a presença feminina crescia, enquanto determinadas funções, editorias e posições de comando permaneciam majoritariamente masculinas.
O FestCine Pedra Azul será mais uma etapa da circulação de “Entre a Caneta e o Poder”, já selecionado para o ICJ International Film Award 2026, na Ucrânia, e para o Panorama Estadual da 9ª Mostra Sesc de Cinema, representando a Bahia.
Décadas depois de atravessarem portas que durante muito tempo permaneceram quase fechadas às mulheres, as seis jornalistas chegam juntas a outro espaço.
Desta vez, a tela do cinema.




